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quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Cotas et alli [2]

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Acho bastante curioso como se questiona a validade do sistema de cotas para afrodescendentes em Universidades e em propagandas, principalmente.

Pelo que lembro, já temos cotas para mulheres na ocupação de cargos políticos e também para portadores de deficiência. Não se questiona a competência ou a falta dela para a exercer as atividades, o ponto é justamente o preconceito que impede a ocupação igualitária de cargos.

Afinal, mulheres são menos competentes por serem mulheres ou somos machistas e não damos as devidas oportunidades? Portadores de deficiência estão menos capacitados a terem uma vida plenamente ativa ou somos preconceituosos e damos menos oportunidades a eles? Afrodescendentes estão "por baixo" por merecerem ou somos uma sociedade racista e as oportunidades não são as mesmas?

Li um texto muito interessante que fala da importância da igualdade numa sociedade considerada mais justa: "Da relação direta entre ter de limpar seu banheiro você mesmo e poder abrir sem medo um Mac Book no ônibus". Recomendo a leitura para entender o motivo de todos serem tratados com respeito; sem demagogia.

domingo, 27 de setembro de 2009

Cotas et alii

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A Câmara dos Deputados aprovou o Estatuto da Igualdade Racial depois de 10 anos de discussão (enrolação?). Entretanto, brancos e negros se relacionam bem no cotidiano. Afinal, para que serve este Estatuto se vivemos numa democracia racial? É preciso legislar a harmonia existente entre as raças no Brasil?

Em geral, a palavra racismo é associada a uma discriminação explícita e violenta. Isso, definitivamente, não é a realidade do Brasil de hoje, com pouquíssimas exceções por aí. A miscigenação também é apontada como um fator absolutamente evidente da nossa democracia racial. Ainda assim, colocar nossa sociedade como uma democracia racial não é correto.

Olhando para a distribuição populacional com o recorte de raça/cor [1], a distribuição entre brancos e afrodescendentes é bastante próxima. Se olharmos para a estrutura de poder, ou até mesmo para a ocupação de posições de destaque (como modelos, atores e atrizes), é fácil notar que não estamos nada perto da equidade.

Esse estado não é simplesmente o resultado natural das coisas. A desigualdade é uma construção de séculos. Não vamos esquecer que, no início da construção da sociedade brasileira atual, com a vinda dos portugueses, tínhamos a escravidão. Ou seja, os racistas explícitos e violentos participaram da construção da nossa sociedade. A questão é: quando houve um processo político real de desconstrução da desigualdade racial? E não venha mencionar o 13 de maio.

Por isso, é preciso sim legislar sobre a harmonia da preservação da desigualdade. É justamente aí que está o racismo brasileiro, não nas ações individuais.

[1] - vide pesquisas de censo populacional do IBGE

sábado, 5 de janeiro de 2008

Vi na TV

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Vi, sim. Vi um banco fazendo uma homenagem aos 100 anos da imigração japonesa. Bacana, né? Deixo aqui meus parabéns a quem julgar merecê-los; sem ironias. Afinal, a imigração japonesa é importante para a formação da identidade nacional. São as pessoas que dão a cara de um país, certo? Aliás, li que não sou só eu quem acha importante, felizmente :)

Aqui em SP temos muitos descendentes, não só na Liberdade; em Mogi das Cruzes (onde nasci) a colônia - como o pessoal costuma chamar - é enorme e tem tudo a ver com a economia local.

Voltando à identidade nacional, a propaganda me levou à reflexão. Seria justo prestar homenagens aos diversos componentes étnicos da terra brasilis? Justíssimo, eu acho. Mas está bastante longe de ser concreto. Para restringir em televisão, não me lembro de ter visto homenagens desse tipo no dia da consciência negra, por exemplo. Adoraria ver uma propaganda falando bem do Candomblé ou da Umbanda. Mas, por que homenagear os descendentes dos japoneses e não os descendentes dos nagô, por exemplo?

Minha teoria é resumidamente simples. Admira-se a cultura japonesa, ponto final. As culturas negras? Bem, essas não se sabe sequer quais são, exceto pelas aparições para falar de carnaval, como presenciamos nessa época do ano. Ok, exemplifiquei pontualmente e generalizei. Revolta, talvez. Se eu me identificasse com o que eu vejo na telinha, talvez isso melhorasse.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Consciente e Negro

2 comentários:
Não podia deixar passar em branco o dia da Consciência Negra, que há poucos anos é feriado.

Depois que passou a ser feriado, notei as pessoas se perguntarem o motivo. Interessante, não? Isso dá destaque à causa. Por isso, acho o dia é boa data para fazer uma reflexão sobre a condição de nós negros no país.

Ainda hoje, ouvi o MV Bill dizer algo muito interessante. A miscigenação é fascinante no Brasil. Digo isso no sentido positivo: nossa facilidade de mistura é legal mesmo. Entretanto, isso tudo acaba quando a questão passa para a ocupação de cargos de decisão. Desafio: diga em 20s o nome de (apenas) três políticos negros de destaque. Não conseguiu? Hum... As Nações Unidas definem democracia racial como a ocupação proporcional à população no recorte étnico-racial; nosso mito de democracia racial passa bem longe disso.

Para finalizar, fico com um trecho de Palmares 1999, do Natiruts:

"A cultura e o folclore são meus
Mas os livros foi você quem escreveu
Quem garante que palmares se entregou
Quem garante que Zumbi você matou
Perseguidos sem direitos nem escolas
Como podiam registrar as suas glórias
Nossa memória foi contada por vocês
E é julgada verdadeira como a própria lei
Por isso temos registrados em toda história
Uma mísera parte de nossas vitórias
É por isso que não temos sopa na colher
E sim anjinhos pra dizer que o lado mal é o candomblé"